quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Ramos Torres Zayas un maestro de la cultura afro cubana.


 


Esta estrevista al gran estudioso de la cultura Abakuá Ramon Torres Zayas. Este reportaje es un intento de divulgar su obra y mostrar para el mundo un poco de las culturas afro cubanas y de todo ese tesoro que existe en la influencia del mundo africano en la Isla.


1)       Conocemos tu respeto y admiración por la obra de Fernando Ortiz, Lydia Cabrera y  por Serafín “Tato” Quiñones, que puedes decirle a una persona que se inicia en los

estudios de la cultura negra cubana sobre la importancia de estos autores?

Fernado Ortiz es considerado el Tercer Descubridor de Cuba (después de Colón tras su llegada a la Isla en 1492, Alejandro de Humbolt por su descripción de la fauna), pues Ortiz, se adentra en los estudios sociológicos y, aunque con un pensamiento inicial positivista, reconoció posteriormente el aporte de las culturas africanas a la conformación nacional del cubano. Lydia Cabrera, cuñada y discípula de Ortiz tuvo una formación muy ilustrada y su primer acercamiento a la africanidad la expresó en Francia con sus “Cuentos negros de Cuba”, pero no se quedó allí, sino que continuó profundizando sobre la heredad yoruba, conga o carabalí, que la llevaron a redactar sendos volúmenes. Considero que el mérito de Lydia está en la forma: en ella uno puede conversar, sentir, escuchar cómo los africanos. Su método etnográfico no tiene paralelo. Lydia abrió las puertas al discurso de los testimoniantes de una manera sutil y comprensible que le da siempre total veracidad al discurso. El caso de Tato nos lleva por la voz de los protagonistas: Tato es un iniciado abakuá y sacerdote de Ifá, que como portador cultural nos lleva por nuevos senderos dándole, repetimos, Voz a los practicantes.

2)       Cada grupo o religión afro cubana tiene su cosmogonía, su liturgia, sus rituales, su música, su danza, sus cantos y sus instrumentos que me puedes decir de esa riqueza como fuente de inspiración, de mitos, de belleza y de musicalidad?

Hablar sobre esto requiriera de un tratado para cada grupo específico que se introdujo en Cuba de manera forzosa a través de la trata negrera, o venida sobre todo hacia la región oriental luego de la revolución haitiana con las oleadas francesas que escapaban de la “justicia de los negros”. Pero no cabe duda de que África está en cuba a través de sus mitos, leyendas, cantos, danzas, música, psicología. Los ritmos músico-danzarios como el son, la rumba, la timba, el chachachá, el mozambique, el casino o el mambo están cargados de esa impronta africana. En África todo es musical, porque no está separada de su cotidianidad como sucede en occidente: filosofía, música, poesía, danza, todo viene en un mismo paquete. Sus leyendas y mitos son poéticos; su hablar, melódico; su andar, rítmico. Todo ello tiene musicalidad, belleza, sentido, que ha inspirado a muchísimos creadores del arte para elaborar sus obras: en la música: Ignacio Piñeiro, Amadeo Roldán, Caturla, Formell; en la plástica: Lam, Diago, Mendive, Choco, Belkys Ayón; en la danza: Celeste Mendoza, Chano Pozo, Santos; en la poesía de Guillén, el Ambia, Sinesio Verdecia, Ediel González…


3)       Cuál es tu descripción del mito de la princesa Sikán?

El mito de Sikán no es otra cosa que la repetición andoncéntrica que evidencia el despojo de un poder femenino. La mujer, mitad de la humanidad y madre de la humanidad toda, ha estado durante milenios desplazada por el poder patriarcal. Se sabe de que hubo una etapa (en todas las sociedades) cuando las mujeres detentaban un poder: de ahí el término: Madre natura, Alma Mater, los hijos se reconocían por vía materna, pues ellas son las que paren. Sikán representa esa etapa que es arrebatada por la irrupción masculina. Se trata de una lucha de poderes convertido en mito, que se posiciona y legitima más tarde la exclusión femenina según la interpretación de los diferentes grupos o ramas abakuá: efí, efó u orú, pero en todas queda clara la imposición de normas masculinas que se alejan del culto originario: la adoración a la Gran Madre o Madre Universal.

4)       Cuéntanos cuáles son tus obras literarias dedicadas a todo este tema y cuáles son los próximos temas en los que estás interesado en profundizar?

He publicado en periódicos y revistas nacionales y extranjeros, además de los libros: Relación barrio-juego abakuá en la ciudad de La Habana (ed. Fuente Viva, 2010), La Sociedad Abakuá y el estigma de la criminalidad (ed. Cubanas, 2011 y 2015, en coautoría con Odalys Pérez), Abakuá: los hijos de ekpe (compilador, 2015), Abakuá, (de)codificación de un símbolo (Aurelia ediciones 2015, 2018 y 2019), Abakuá, del mito al imaginario (ed. Abril, 2019)

En proceso de impresión se encuentra la novela Seseribó: divino tesoro, mientras que Aurelia Ediciones prepara el ensayo Herbolario: la magia de las plantas.

 

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

O MITO DA PRINCESA ZIKÁN.

 

O MITO E OS GRUPOS RELIGIOSOS AFRO-CUBANOS.

O mito é uma historia remota, uma fabula ancestral que representa um acontecimento expressado  de forma poética e romanesca. Com o correr dos tempos são agregadas cenas ou símbolos a uma historia originaria. A questão por trás da fabula é o que no mito o verdadeiro se mistura com o ilusório. O caráter didático do mito é algo evidente, ele algo nos quer ensinar.

Assim o mito do homem que sonha com um tesouro escondido em Bagdá nas mil e uma noites  ou os cantos das sereias que conta o grego dão vida a uma alegoria e a uma quimera. 

O mito da princesa Zikán esta inserido num mundo que precisamos conhecer para entrar na questão do mito, o mundo a que nos referimos é o das religiões afro-cubanas.

No texto “A lenda Ñañiga em Cuba” Enrique Soares Rodriguez diz que dos Bantús chegou a Regla de Palo Monte, dos Yorubás a Santeria e de grupos multi étnicos do Calabar o Abakuá, podemos  agregar também que de Benin (antigo reino de Dahoney) nos chegam os Ararás e os Vodous estes últimos fazendo uma ponte com Haiti .

Cada religião tem um mito sobre a origem do mundo, cada uma cultua diferentes divindades, cada uma delas tem sua música, seus instrumentos, sua dança, seus rituais e cerimônias; em fim toda uma liturgia, um conjunto de elementos (rezas, objetos, roupas, cores, gestos e palavras) onde encontramos a existência de todo um universo que envolve a estas manifestações do sagrado.

 O Abakuá é uma destas religiões e no seu mundo tem rituais, grafismos, figuras dramáticas, músicas e claro toda uma mitologia. Os Abakuá não tem um mito de criação do universo, mas tem no mito da princesa Zikán uma mostra metafórica de como se inicia o culto do Som do tambor sagrado (Ekué).

A PRINCESA ZIKÁN.

Zikán era uma princesa Efor, é ela que se depara com o símbolo do mistério, ela de alguma forma é “ a recolhedora do liquido vital” (como diz o estudioso Ramon Torres Zayas), ela conhece –sem querer- o grande segredo e de alguma forma esse contato a eterniza ao mesmo tempo em que a condena.

Seu lugar como fêmea na historia é o de gerir, de fazer nascer e de mostrar o grande mistério para os homens que ao se tornarem conhecedores do símbolo do poder inauguram uma nova era.

A imagem deste lugar de um feminino sagrado relacionado com a fertilidade e com a água também aparece em outras culturas, a figura da princesa Zikán se assemelha com a imagem de uma peça de barro de Iemanjá de Benin (antigo reino de Dahoney).

Zikán parece também com a imagem de umas pescadoras nos quadros da artista russa Natalia Goncharova e na mitologia do Irã na imagem da mulher carregando o jarro.

Podemos encontrar certa similitude também com outras deidades da tradição Yorubá, no Candomblé do Brasil, por exemplo, a Orixá Oxum é a rainha da água doce e rege a fecundidade.

Zikán é em algum sentido o lugar do feminino como imagem poética da mulher colhendo água no rio.  Zikán mostra a beleza do cotidiano de trabalho e ao mesmo tempo ela é a grande mãe, a que faz nascer o novo ao estar presente no mito inaugural e escutar o segredo (Uyo). A partir do qual a sociedade Ekpe dos Efor detém o segredo.

Ao conhecer o segredo Zikán é sacrificada e colocam sua própria pele para reproduzir o som do pez no tambor sagrado (Ekué) que representa a voz do espírito, que é ao mesmo tempo a voz do leopardo sagrado, que é a voz dos segredos do sobre natural.



O MITO EM SI MESMO.

Existem muitas versões do mito, vamos tentar conhecer algumas das suas possibilidades.

O fato de não poder localizar a historia em um tempo determinado parece nos dizer que é uma historia de todos os tempos.  Situamos-nos na África, em Calabar, o rio Odánn separava ao povo Efor e Efik. O poder mágico era disputado entre todas as tribos. Abasí, o Deus supremo, tinha escolhido o povo Efor para revelar o Segredo. Clarividentes escutaram o anuncio que Abasí se revelaria num pez. O encontro entre o pez e os Efor aconteceu de uma forma inesperada.

O sacerdote Nasakó adverte ao Mokuire (rei dos Efor) que quem descobrir o segredo terá que ser sacrificado.  Mokuire soube que o pez está em mãos de um mortal, vê a sua filha sair do rio e se desespera.

A princesa Zikán era filha de Mokuire, ela como o fazia cada manhã foi ao rio a buscar água num grande jarro que carregava sobre sua cabeça. Substituía um jarro  que tinha deixado num canto no dia anterior na vera do rio Oddán e o trocava por outro vazio.

A bela Zikán quando transportava a água de volta para casa sentiu um rugido e deixou cair o recipiente. Ao cair a cabaça no chão ela percebe que o rugido que ela tinha ouvido saiu de um pez que tinha se introduzido na sua vasilha, seu pai assiste o episodio. Sem querer Zikán deu morte ao pez chamado Tanze que estava no jarro, o Tanze que tinha emitido a voz de Abasí (a deidade suprema) portador do grande mistério.

Na versão publicada por Jorge Castellanos e Isabel Castellanos: “La Sociedad Secreta Abakuá. Los Ñañigos”  Zikán tenta fugir, mas uma serpente amarra sua perna, no momento em que aparece o espírito benéfico, o Íreme Eribangandó para a libertar. Ramon Torres Ayas nos esclarece que essa serpente é um símbolo de um sinal emitido por Nasakó para que o segredo não seja divulgado aos Efir.

Em outra versão do mito ela escuta o som e chega a mostrar Tanze para seu pai Mokuire e este - que também escutou o som- pediu para ela calar o ocorrido e levou a noticia ao sacerdote Nasakó. O sacerdote cuidou por um tempo de Tanze e o povo Efor começa a viver momentos de fecundidade e de gloria.

O pez fora do seu habitat morreu e o som acabou, Nasakó precisaria reproduzir esse som por médio de um tambor de fricção.

Em outra versão (lembrada pelo estudioso Tato Quiñones) Zikán confiou a narração ao seu marido Mokongo filho do rei dos Efik.

Os Efik assistindo o momento de gloria dos Efor e sabendo por Mokongo (marido de Zikán) que eles conheciam o mistério quiseram também conhecer o segredo; primeiro com ameaças, depois pelo uso de extorsões até que depois de muito tempo conseguiram conhecer o segredo dos Efor.

Longe de isto criar uma disputa prolongada o segredo foi compartilhado pelos dois povos o que resultou na união das duas tribos os Efik e os Efor.

Voltando ao que aconteceu com a princesa, Zikán foi condenada a morte e sacrificada ritualmente.

Aqui nos deteremos para olhar com mais atenção estes os fatos e levantamos três caminhos:

Se o sacrifício resulta aparentemente como uma forma de compensar ao Deus Abasí por ter deixado morrer acidentalmente ao Tanze então seria castigada por algo que ela fez de forma involuntária, o que seria uma injustiça.


 Ficariam duas possibilidades: se a princesa Zikán foi sacrificada como foi anunciado pelo sacerdote Nasakó apenas pela sina ou se ela foi castigada por ter cometido sacrilégio ao revelar o segredo.

No caso da primeira hipótese existe um ditado que levanta a questão de que o contato com o divino ao mesmo tempo em que inspira ao homem também o destrói.

Vemos isso dito na poesia e na literatura quando, por exemplo, Julio Cortazar no conto “O perseguidor” descreve a um Charlie Parker genial e consumido pelo seu próprio talento.

A segunda hipótese (a de pensar que ela foi sacrificada por ter contado ao seu marido o segredo) é algo sem saída porque ela não poderia se calar frente ao seu conjugue embora essa revelação fosse paga com sua própria existência.

Sobre a morte de Zikán temos que entender esse sacrifício de uma forma diferente que entenderíamos um caso assim no nosso tempo.

A pele de Zikán -por ela ser a primeira ouvinte- seria empregada para construir o primeiro tambor sagrado, mas a pele dela não consegue ser usada para cobrir o tambor e reproduzir o som, então se recorre a várias outras peles até chegar à pele do bode.

Esta parte do mito parece indicar que a morte de Zikán não ocorreu na realidade e que esta cena reproduz o sacrifício do bode como uma forma simbólica de oferecer a Abasí uma oferenda para compensar a morte do Tanze.

No ato da morte de Zikán seu sangue é levado para ser  misturado com o Tanze no intuito de renascer o pez e seu corpo é em parte usado para fazer o tambor, outra parte é enterrada e depois com suas cinzas são realizadas inscrições rituais , suas entranhas foram usadas para alimentar um espécie de recipiente onde se guardavam elementos referentes à magia e seu crânio foi guardado pelo sacerdote no seu espaço ritual.

INTERPRETAÇÃO FINAL.

A alegoria do mito parece indicar a busca do homem pelo som que pudesse evocar ou revelar o conhecimento, o mistério, a sorte, a gloria que finalmente une as tribos e instaura a paz entre a humanidade.

Zikán é uma deusa evocada na figura do bode e sua matéria misturada com a de Tanze ajudam a construir o tambor sagrado que produz o poderoso som.

Muitas interpretações se orientam entendendo o mito como o passo do matriarcado para o patriarcado , outros como a fabula da fêmea que ao conhecer o mistério morre  para que os homens possam impor um mundo masculino sem interferência feminina.

Preferimos caminhar pelos caminhos do poético interpretando o mito como uma mensagem de paz entre os povos a partir do som e da musicalidade.

A fêmea aqui seria a personagem que estaria predeterminada ao sacrifício por ter gerado o conhecimento do sagrado e o som aqui seria a busca pelo mágico que encontramos na beleza da Arte.

 

 

 

 

 

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sábado, 24 de outubro de 2020


 

A musicalidade Abakuá.

 

 

Roberto Rutigliano (2020)

 

 


 

“No tambor fala Deus”.

“Não há Deus sem Ékue, nem Ékue sem Deus”.

 (provérbios do Abakuá)

Índice temático.

Para abordar este tema vamos a dividir a aproximação em uma introdução e dez tópicos:

1.       O tambor sagrado.

2.       O som.

3.       A simbologia do bode.

4.       A simbologia do leopardo

5.       A simbologia do tambor.

6.       O tambor de fricção.

7.       A instrumentação das cerimônias.

8.       Os cantos.

9.       O legado musical do Abakuá.

10.   Os músicos desta tradição.

Introdução.

Como introdução é preciso descrever um pouco a cultura Abakuá.

A sociedade Abakuá cubana é uma instituição de ajuda mutua, é uma associação mágico esotérica que herda a cultura dos ekpes (egbes) africanos, a sociedade do leopardo, também conhecida como homens leopardos, oriunda de Calabar , território atual de Nigéria na África próximo de Camerún.  Se conhece a seus membros como ñañigos ou calabaríes , eles cantam em língua Efí (embora ela não seja totalmente pura e sim povoada de termos criados em Cuba).

A sociedade é de característica fechada, secreta, formada só por homens e é conhecida pela sua musicalidade, pelos rituais, pela existência dos Íremes ou diabinhos e pelo uso de grafias específicas chamadas Gandos, Anaforuanas e sellos.

Existem rituais públicos conhecidos como “plante”, mas alguns detalhes especialmente os referidos ao Ékue (tambor sagrado) não podem ser revelados justamente porque poderiam ser interpretados como uma profanação ao mistério.

Aqui o registro de um plante

https://youtu.be/2_Df4cSGkzg

Mais informações podem recolher no livro de Jorge Castellanos e Isabel Castellanos “Cultura AfroCubana tomo III”. Universal Miami 1992.

E na teses “La Sociedad Secreta del Leopardo entre África.y América: la búsqueda de una identidad”. Viridiana Tamorri.

1.    O Tambor sagrado.

O Tambor sagrado, o Ékue (Ékwe), é um instrumento de percussão de fricção com uma haste  externa , uma espécie de cuíca grave, ele justamente no Abakuá está reproduzindo o som que no remete ao mito da princesa Zicán.

O som evoca o rugido de um leopardo, é um som grave, ronco que reproduz o som que aparece na boca de um peixe (Tanze) que era o Deus (Abasí) e que foi encontrado pela princesa Zicán no vaso onde ela colhia água na vera do rio.

Na tradicional lenda  se constrói um tambor para reproduzir o som sagrado, o instrumento é coberto por uma pele de bode (mbori) e seu som nos coloca em contato com a revelação dos mistérios (Úyo).

Em Cuba nas cerimônias e rituais o contato com este som desperta nos participes uma experiência reveladora e transcendente. Nas cerimônias de iniciação, se acredita que o contato com o som do Ékue transmite aos principiados a virilidade e a valentia do leopardo. O Ékue permanece oculto no quarto sagrado e os participantes só tem acesso a seu som. (Ilustração de Baikis Ayon).

Evitamos publicar fotos do Ékue e divulgar seu som justamente para respeitar o sentido privado que os abakuás dão ao instrumento e ao seu som.

2.    O Som.

O Abakuá afirma o mito da existência de um Som com poderes de fecundidade e prosperidade, ele (o Abakuá) parte da ideia de que o poder emana de um Som.

O som é também um veiculo entre o mundo visível e invisível e fundamentalmente o som é capaz de alterar estados de consciência ou abrir canais de percepção mais profundos.

Nesta cultura ouvir é o que nos permite o acesso a um estado de conhecimento maior. Esta ideia esta presente em outras culturas: escutar o som continuo ao modo dos mantras na Índia, por exemplo, provoca um estado de consciência diferente. No Candomblé o som de uma célula rítmica determinada repetida ou uma frase do Rum (instrumento solista) convida ao transe mediúnico .

Esta afirmação do som como sinônimo de apertura de sabedoria desenvolve uma máxima na cultura Hausa ao afirmar que “ouvir é conhecer”.

Existem outras culturas africanas onde o contato com determinado tipo de som também alteraria o estado de consciência, na cultura Ivanga, por exemplo, se afirma que escutar os chocalhos que tremem pendurados das cadeiras das dançarinas também produziria efeitos no estado de consciência.

Aqui um vídeo sobre este ritual

https://youtu.be/33qpoAUYbws

Relacionado com isso uma das coisas mais fantásticas do Abakuá é a questão da busca do Som, isto se desdobra na procura pela pele do tambor para que ele soe de forma que consiga reproduzir exatamente o som de Tanze.

Embákara (filho da primeira geração dos abakuás) guardava as peles que Nasakó (o grande sacerdote) escolhia.  A cena reproduz o fato de como para chegar ao som desejado foram experimentadas por ele (por Nasakó): peles de pez, de roedores, pele humana, de leopardo, de cobra, de crocodilo, de veado, de cordeiro até encontrar a pele de bode que era a adequada  para poder reproduzir o som desejado.

Para quem quiser saber mais sobre este tema: Isabela de Arazandi escreveu um artigo “El sonido del espíritu en las sociedades secretas de Africa”  disponível na web.

3.    A Simbologia do bode.

A pele do Bode foi escolhida para cobrir o tambor sagrado. O bode, na tradição, é o animal símbolo de fertilidade e resistência. No Candomblé (no Brasil) o bode é um animal sagrado que se usa em sacrifícios e está associado com Exu (Elegba na Santeria).

Para os gregos o bode esta relacionado com o mito do Dionísio e está presente no mito do nascimento de Zeus: a cabra foi o animal que amamentou Zeus.

Na tradição nórdica ele está associado com a figura de Thor Deus dos raios  “Senhor dos Bodes”. Ele se transportava numa carroça tirada por dois bodes, estes bodes representavam a virilidade e a luta.

Mais referencias em “Thor, o Senhor dos Bodes: Um estudo de simbologia” Leandro Vilar Oliveira.

4.    A simbologia do leopardo.

A  Sociedade Secreta Abakuá representa a transculturação em Cuba da africana Sociedade do Leopardo Ekpe das etnias Efik, Efor e Oru de Calabar, estas etnias compartiam os cultos totêmicos do pez e do leopardo, do bode, do galo , da serpente,  do crocodilo ,  assim como o culto dos antepassados e das forças da natureza.

O leopardo, (Ekpé) é justamente o inspirador do som, do seu rugido surge o Ékue, o instrumento sagrado que reproduz o som do animal. O próprio nome como são reconhecidos os membros do Abakuá “Ñáñigos”, é uma palavra que deriva do vocábulo “ñan-ñan” que significa arrastado o errático, algo que se relaciona com o leopardo por recordar os movimentos do animal.

O xamanismo, por sua vez, vê o leopardo como um guardião que protege espiritualmente os seres humanos das forças ruins ou obscuras do universo.

O leopardo é um totem muito antigo e poderoso. É um símbolo da coragem, do valor e do poder.

5.    A simbologia do Tambor.

O  tambor nos remete a uma evidente ancestralidade. Evoca um primitivismo claro e profundo. Ele é um símbolo da resistência negra na America e uma prova da riqueza das cores da música oferecendo todo um leque de timbres e de sons.

O Tambor está presente na cultura dos Xamãs, a lenda afirma que um xamã molda seu tambor com um galho da Árvore Cósmica, durante um sonho de iniciação.

Nas guerras se usava o tambor para insuflar coragem nos soldados. Nas tradições grega e romana, o tambor está ligado ao deus da guerra Ares e Marte respectivamente.

Entre os lapões (suecos, russos, finlandeses e noruegueses) o tambor também é usado para adivinhação.

Entre os maias-quiché (Guatemala), é a representação simbólica do trovão, do poder da morte e da fertilidade.

Na África está intimamente associado a todos os acontecimentos da vida humana. Ele é a comunicação, o principal e o mais natural, imediato e intuitivo instrumento do cotidiano histórico.

Na China, no Japão e na Coreia existem orquestras de tambores chamadas Taikô , no norte da Argentina as mulheres  “cajeras”cantam versos improvisados se acompanhando de um tambor.

Em Brasil como em Cuba existe uma infinidade de tambores de diversos tamanhos e sonoridades, sempre ligados a contextos sagrados ou festivos.

O maior simbolismo do tambor tal vez seja justamente o que alcança na cultura Abakuá onde é tratado como uma divindade.

6.    O tambor de fricção.


No Brasil o instrumento se chama Puita, Onça ou Roncador. Ele esta presente nos Congados, no Jongo, no Bumba Meu Boi, no Maracatu Rural e no Samba carioca, mas sempre com um comportamento de base ou de efeitos e quase sempre se encontra com a haste colocada na parte interna do instrumento.

No caso da passagem da Puita (grave) para a cuíca (agudo) no Samba carioca,  ela passou de ter um comportamento de marcação, um antecedente do surdo, para um comportamento de improvisação com uma sonoridade mais exasperada.

Ao longo da historia na África o tambor de fricção é usado em cerimônias fúnebres ou em evocações alegóricas e sempre com alguma referencia mítica com o leopardo ou o leão. O instrumento aparece na Espanha com o nome de “Zambomba”, na Itália e em Portugal com o nome de “Sarronca”. 

O tambor em Cuba é utilizado também pela tradição Kinfuiti (da província de Mariel), mas este tambor de fricção que se utiliza é o de haste interna e se usa com uma função de acompanhamento das cerimônias.  Aqui um vídeo da musicalidade Kinfuiti.

https://youtu.be/06re9VGL_CY

No caso do Abakuá o Ékue tem a haste externa, o que facilita a execução continua.

Uma curiosidade referente ao tema : entre os cargos dentro do Abakuá existe o Moní Bonkó foi um rei e artesão que fabricava tambores. Ele tem o cargo de tocar o tambor maior (Bonkó enchemillá)  , algo similar com o cargo de Alagbé no Candomblé do Brasil.

Para se aprofundar mais no instrumento podem consultar a teses de Rafael Bemvindo Figuereido Galante “Da cucópia da cuíca: A diáspora dos tambores africanos de fricção e a formação da musicalidade do atlântico negro séculos XIX e XX”.

7.    A instrumentação.


A orquestração básica da orquestra de Abakuá precisa de sete instrumentistas, envolve um sino marcando uma referencia rítmica , um quarteto de tambores , uma base com som de madeira, efeitos, coro e solista.

Este tipo de desempenho, de tambores de base e um solista,  repete o mesmo comportamento que ocorre em muitas outras tradições africanas como no Candomblé e na Santeria.

Biankomeko é o nome do conjunto de instrumentos usados nos rituais. O comportamento dos tambores é o seguinte: o primeiro instrumento toca a terra, o segundo e o terceiro fazem o contraponto e o quarto (o maior) é o solista. Os nomes são: o tambor maior  bonkó echemiyá  e os menores chamados de enkomos  recebem o nome de: biankomé, obi apá e cuchi yeremá , completam a orquestra o ekón , erikundé e as echerikaguá e checheribó.

O Ekón, o cencerro, (sino de vaca) toca a clave e dialoga com os Íremes, eles respondem fazendo tremer os Enkaniká ( pequenos sinos pendurados) . O Erikunde alimenta a orquestração (são uns chocalhos que convocam os espíritos) .  Checheribó ou Cherikagua são similares aos Caxixis, eles completam a formação musical.

Alem dos tambores e do Ekón , temos o som das baquetas (itones) batendo na madeira da vera do tambor maior com uma frase que realiza uma função similar a conhecida como “palito” dentro do estilo Rumba Guaguancó.

A função do tambor maior, igual que o Rum dentro do Candomblé esta numa total comunicação com os Íremes.

Quem quiser se aprofundar pode consultar o livro do Ramon Torres Ayala “Abakuá la decodificación de um símbolo” (página 52 até 55).

Aqui dois vídeos falando sobre a instrumentação e a musicalidade com depoimentos de Ramos Torres Zayas e de Lino Neira entre outros.

https://youtu.be/F28OfnU67ig

https://youtu.be/HuBTmiCojrA

Aqui uma mostra que desmembra a orquestração

https://youtu.be/fFBtIUDNANI

Aqui a partitura da orquestração.

https://youtu.be/BCeiQQqfsqY

8.    Os ritmos e cantos.

O ritmo Abakuá é um só, pode ser mais rápido e mais lento, se diferenciam com os nomes Efi (mais rápido e incisivo) e Efo (mais lento e suave), também esta mudança de andamento se pode interpretar como mais rápido o Abakuá de Habana e mais lento de Matanzas.

O ritmo é em 6/8  e a Dança acompanha os movimentos dos estilos .

No Abakuá existem os Enkames são narrações que podem ser letras de canções, estas tem características variadas: relata fatos históricos, tem uma função pedagógica, de diversão, uma função ritual, ela narra provérbios de contudo poético entre outras possibilidades.

Basicamente as formas das músicas tem um refrão ou uma melodia curta e um solista (Moruá- yuansa) que cria um contraponto com o tema.

Vamos a analisar alguns exemplos para ver o que ocorre na pratica:

Ouvimos a gravação “Ibiono”.  O tema:  Bacoco Efo, Betongo Efo.

https://youtu.be/LJg1UU_3UAU

Até o minuto 2:20 existe uma voz realizando uma apresentação , esta voz tem já uma musicalidade típica Abakuá.

A partir desse momento começa outro discurso já mais melódico , com o coral cantando um refrão ao mesmo que entram os tambores e o sino.

No minuto 4:42 se formaliza uma melodia mais clara similar ao que entendemos como “canção” ou refrão e resposta . No minuto 6:03 muda de tema e recomeça no clima que propus a partir do minuto 4:42, depois retoma o comportamento refrão , resposta do coro.

Na mixagem do som se escuta bem o sino, o tambor que se comporta como o salidor e o tambor solista. No som real, ao vivo, o grupo de percussão soa de forma um pouco mais caótica e as vozes se misturam.

Segundo exemplo.  Ouvimos a gravação “Ibiono”.  O tema: Oru Afiana.

https://youtu.be/3XdNvS4AxpU

Começa com um discurso e com algumas intervenções do coro, isso até o minuto 2:53.

A partir desse momento entra a percussão e o solista começa outro discurso já mais melódico, o coro no 3:47  canta uma melodia que vamos a encontrar habitualmente no repertorio Abakuá.

No minuto 4:53 o coral já canta uma melodia maior e foge do comportamento de dar apenas respostas. No 5:39 volta a cantar o refrão . Este refrão aumenta a empolgação até partir para outro tema depois do minuto 8:00. Aqui volta a se comportar  como coro e solista até subir a temperatura da interpretação.

Terceiro exemplo.  Ouvimos a gravação “ Les danses TT dieux” : Wemba TT Abakwa

https://youtu.be/GlVbZpBZcI8

Começa (como é habitual) com uma apresentação e depois entra o canto e a percussão, a diferencia das gravações anteriores se escuta menos o sino e mais o tambor solista.

O tipo de melodia é bastante frequente e podemos destacar a beleza melódica da voz do solista. A música sobe de andamento e temperatura até chegar a um êxtase.

Outra observação:  Estas gravações servem para apreciar a beleza da musicalidade, mas elas não conseguem passar o que acontece de forma desarrumada nas cerimônias ao vivo.

Nos exemplos de som ao vivo, é importante destacar que antes da entrada dos Íremes existe um momento de descontração e de improviso.

Outra observação: Os movimentos do Íreme se espanando está associado com o fato do Íreme estar chegando do mundo dos mortos e se limpando o corpo, os dançarinos fazem o mesmo com um lenço vermelho, este gesto aparece também na dança da Rumba Guaguancó.

Aqui uma filmagem muito bonita para televisão onde se pode apreciar a musicalidade Abakuá.

https://youtu.be/Py5KwcwQAtI

9.    O Legado musical do Abakuá.

O legado mais visível do Abakuá é a Clave. A ideia de colocar a clave na música como fator ordenador, como guia, como centro de gravitação e como elemento que dá uma direção rítmica à música é uma contribuição histórica da cultura Abakuá na  musicalidade cubana.

Este principio musical que influenciou a Rumba e ao Son, dois dos estilos mais importantes da ilha é uma contribuição de Ignácio Piñeiro nas primeiras décadas do século XX. Ele também era compositor e poeta de músicas em estilo Yambu e Son habanero.

Os estilos não foram criados por ele , nem a clave é uma herança só do Abakuá, mas com Ignacio Pinñeiro se cristalizou este legado de forma definitiva.

Piñeiro era ñañigo e a semelhança entre a estrutura dos cantos de Abakuá e da Rumba é algo evidente.

Ignacio Piñeiro e Maria Teresa Vera.

Uma das primeiras experiências que trazem a musicalidade do Abakuá na música popular cubana foi em 1920. Uma joia criada para narrar de forma irônica como os brancos queriam tocar e dançar a música de Abakuá.

https://youtu.be/CdbDYpqjTqM

Aqui uma reunião de abakuás em homenagem a Ignacio Piñeiro.

https://youtu.be/o6yaRDz7Pfg

 

10.          Os músicos desta tradição.

Entre os músicos mais conhecidos de esta tradição podemos encontrar a Patato Valdés, Chano Pozo, Cheo Marquetti, Félix Chappotín, Ignacio Piñeiro, Juan de la Cruz Hermida, Mongo Santamaría, Pello El Afrokán, Silvestre Méndez e até o poeta Jesús Orta Ruiz.

Vamos escutar agora alguns exemplos:

Cheo Marquetti & Septeto Cauto - Efi Embemoro

https://youtu.be/sq4d1TmfPO8

Sexteto Habanero - Criolla carabalí

https://youtu.be/cGxXqB3kI5w

 María Teresa Vera y Rafael Zequeira - Los cantares del abacuá

https://youtu.be/E5VupXJl32k

 Chano Pozo – Abasí

https://youtu.be/FfUvzk5RyeA

Arsenio Rodriguez Mambo Abakuá

https://youtu.be/Tyzh7ssoZmQ

Mongo Santamaría and his Afro-Cuban Group – Abacuá Ecu Sagare

https://youtu.be/OOEvBbtb6R8

Cachão protesto Abakuá

https://youtu.be/wSAzbvxz8AY

 Conjunto Roberto Campos – Abacuá

 https://youtu.be/tTFGcmR1fDk

Los Muñequitos de Matanzas cantan Saldiguera y Virulilla – Ritmo Abakuá

https://youtu.be/C9VBX8Iz8Iw

Mongo Santamaría & Justo Betancourt – Ubané (canto abacuá)

https://youtu.be/TeLba2UpGak

 Ricardo Ray & Bobby Cruz – El Abacuá

https://youtu.be/5X0dyE1ajO8 

 Bobby Valentín canta Frankie Hernández – Yo Soy Abacuá

https://youtu.be/H53jKT9eIwc

Los Papakunkun. Rapsodia Abakuá

https://youtu.be/sv9V8NZcyYw

Patato y Totico . Ya Yo E (Canto Abakuá)

https://youtu.be/Vw3kCcW7NK4

Grupo Afro Cuba. Abakuá.

https://youtu.be/bSfntYbI2CQ

Maiores informações na coleção Gladys Palmera, texto de José Reyes Fortún.

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Conclusões:

Mais de 200.000 carabalíes chegaram a Cuba . Eles foram sequestrados  e trazidos como escravos. Este povo tinha conseguido nunca ser invadido , mas foi vencido e trazido a América como prisioneiro de guerra para trabalhar na Havana , em Cuba.

Eles criaram Cabildos e uma associação secreta de auto defesa . Esta ideia simples de se proteger ajudou a preservar a cultura Abakuá.

Hoje temos liturgia, música, dança, instrumentos, mitos e lendas que sobreviveram a todo este tempo.

A cultura carabalí é muito importante e se podemos usufruir desta riqueza é graças ao espírito de fraternidade de um povo que se manteve unido e lutou por preservar sua identidade.

 

 



segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Cumpleaños de Coltrane.

 

John Coltrane.

Este último 23 de septiembre el ángel negro habría hecho  94 años.


En apenas 41 años de vida y prácticamente en sólo 20 años de actividad artística Coltrane consiguió colocar su nombre entre los mayores de la historia de la música, a partir de su aparición en el escenario del jazz todos los saxofonistas del mundo tienen algo del sonido de su saxofón.

Si Charlie Parker era realmente un pájaro y Cannonball Aderley era un maestro, Coltrane representaba un vigor, un sonido y una virilidad nunca antes encontrada en el saxofón.

Este artículo hace un recorte parcial de Coltrane puntualizando su carrera desde el 55 hasta el 65. La propuesta es hacer un viaje musical afirmando a Coltrane como un artista libre y verdadero, dos virtudes que Trotsky señala como fundamentales en su manifiesto por un arte revolucionario.

Su vida.

John Coltrane nació en un lugar simple en Carolina del Norte en 1926, su vida no fue fácil. Su padre murió cuando él era muy chico, a pesar de un comienzo difícil, gracias a la música, consiguió crear su propio destino triunfal.


Desde chico conoció el clarinete y los cultos de las iglesias americanas de donde quizás se inspiró para encontrar ese sonido trascendente que tiene su música.

Después del clarinete y del violín pasó al saxofón alto hasta llegar al saxofón tenor con el que se destacó desde joven , primero en una big band de la marina americana (ver foto) y después en las diferentes formaciones que comenzaron a “abrirle la cabeza” musical.

Inspirado en Charlie Parker y Dizzy Gillespie, Coltrane consigue influenciarse por esta nueva música hasta que en algunos años atrae la atención de Miles Davis que lo invita a tocar en su quinteto, Coltrane tenía 29 años. Este primer encuentro dura dos años, del 55 al 57 .En esa época tocar con ese grupo era como tocar el cielo con las manos. Su inmadurez lo desvió del camino y Miles Davis lo echó del grupo porque Coltrane, envuelto con heroína,  era excesivamente informal, se vestía mal y no cuidaba de su aseo personal.

Thelonius Monk que asistió la escena humillante en la cual Miles lo expulsó, lo llamó para darle contención y ayudarlo. El encuentro con Monk ayudó a Coltrane a conocer mejor armonía y madurar el sonido de su saxofón. De esa época podemos citar la balada “Ruby my Dear“ que grabaron en 1957 en el histórico disco “Thelonius Monk  whit  John Coltrane”. El dúo llegó a tocar en el Carnegie Hall.

https://youtu.be/xq15vQmD5tE

En esta grabación podemos ya encontrar el sonido de saxofón de Coltrane que llevaría su nombre a la historia de los grandes del instrumento.

Vuelve a tocar con Miles y con él graba “Round midnight “, “Milestones” y  el famoso disco “Kind of Blue” entre otros. El grupo era formado en 1958 por Miles Davis – Trompeta, Cannonball Adderley – saxofón alto,  John Coltrane – saxofón tenor, Red Garland-piano, Paul Chambers – contrabajo y Philly Joe Jones- bateria . También hacían parte de las formaciones Jimmy Cobb en la batería y Bill Evans en el piano.


Entiendo  que estos registros de Miles Davis con Coltrane desde 1955 hasta el 61 hacen parte de una de las épocas más importantes del jazz. Esto porque se llegó a un grado de excelencia y de economía en las composiciones, en las bases, en las improvisaciones y en el buen gusto para hacer música que raramente se repetiría a lo largo de la historia.

Aquí podemos escuchar tres discos importantes Round midnight,  Kind of Blue y Milestones.

https://youtu.be/GIgLt7LAZF0

https://youtu.be/kgRcCyey1hM

https://youtu.be/k94zDsJ-JMU

El sonido suave de Miles junto al sonido ardiente de Coltrane y la sofisticación de las ideas que surgían en la improvisación continuaron en 1959 con la orquestaciones de Gil Evans dentro de este estilo que se conoce como “Cool Jazz”. Una concepción que confirmó la tendencia de que el jazz desde el punto de vista armónico se comportaba con una estrategia modal y desde el sonido podia crear espacios explorando un resultado más dócil y más lírico.

Aquí una versión orquestal de “So What”

https://youtu.be/2O6_RySJUoI

Paralelamente a la grabación de “Kind of Blue” Coltrane graba con la misma base del quinteto de Miles: Paul Chambers (contrabajo) , Wynton Kelly (piano) y Jimmy Cobb (bateria) el disco “Gian Steps”que lo coloca en el centro de la atenciones del ambiente del jazz mundial, en ese disco aparecen dos músicas importantes: la bella balada “Naima” y “Gian Steps”, aquí un breve comentario sobre esta composición: Coltrane entendió que los improvisadores se repetían porque las armonías de las músicas presentaban caminos similares; para romper con esta rutina escribe “Gian Steps” y coloca una serie armónica que realmente desafía a todos los solistas de jazz desde aquella época hasta ahora.

Aquí el disco para que escuchen.

https://youtu.be/ik-jRysBda0

Cannoball y Coltrane.

El disco fue grabado en 1959 pero fue relanzado en 1964 cuando ambos eran estrellas del jazz internacional. La reunión de estos dos nombre legendarios junto a la base del quinteto de Miles quedó eternizada en músicas como “Stars Fell on Alabama" y "Wabash".

https://youtu.be/pcqMZZzxVPk

Antes de entrar en detalles sobre su cuarteto quería mencionar el encuentro con Duke Ellington en 1962 que rindió una de las versiones más lindas para el clásico “in a sentimental mood” y para la balada “my little bronw book”.

Destaco que Coltrane era visto apenas como un saxofonista impetuoso y aquí vemos como él , al mismo tiempo que viril en su interpretación, realiza una de las más bellas interpretaciones de músicas que exigen mucha delicadeza del artista.

https://youtu.be/sCQfTNOC5aEhttps://youtu.be/sCQfTNOC5aE

https://youtu.be/_J0ZpJMQjDohttps://youtu.be/_J0ZpJMQjDo

Coltrane quarteto.

El grupo de Miles  que había grabado Kind of Blue (tal vez el disco más famoso de la historia del jazz) se rompió. Bill Evans hizo su trío y Coltrane creó su cuarteto . Este cuarteto fue algo realmente importante para la historia de la música. Coltrane había demostrado que era un gran instrumentista, pero ahora el también demostraría que era un gran compositor y un gran guía de grupo.

Esa capacidad de liderar un grupo no es fácil, la idea era hacer que la unión no fuese una suma apenas de valores individuales sino que el cuarteto sonase como un único músico: Elvin Jones , por ejemplo, era la llama en la batería, Mc Coy Tyner tenía un modo negro de tocar blues que traía la raíz del estilo y Jimmy Garrison era el ancla del cuarteto.


Sus composiciones.

El tipo de composición de Coltrane es simple , pero inspiradora. Músicas como “Blue Trane” y “Equinox” o “Impressions” son obras de apenas una frase paseando por la armonía, ahora cuando estas músicas son tocadas ellas ganan muchísimas posibilidades de interpretación, quizás este sea su mayor mérito.

Comentando más sobre el tipo de composición pareciera que Coltrane buscaba algo simple que pueda servir de motivo para improvisar, no eran temas complicados o arreglos que exigiesen mucho estudio o mucho ensayo. Lo que se buscaba era crear ambientes donde se pudiese llegar a éxtasis artísticos y eso tenía que ver con la relación entre los músicos de la banda y con una vibración colectiva que llevase a ese “climax”.

Escuchemos un poco “Impressions” en vivo para ejemplificar este asunto

https://youtu.be/03juO5oS2gg

Arreglos de base.

Son muy raros los arreglos de las músicas de Coltrane, él usaba básicamente estilos como un médium jazz,  be bop, baladas, ritmos latinos, pero siempre dejaba a los músicos libres, sin muchos arreglos de base, aquí en la música “Mr Day” podemos escuchar un arreglo para el contrabajo que realmente muestra su lado de arquitecto.

https://youtu.be/uiBsQBfrwZU

El lado interprete.

Un gran músico también es capaz de realizar versiones célebres de músicas conocidas, Coltrane hizo eso con músicas  como “Body and Soul” y fundamentalmente “My favorite things”. Esta música había sido el tema de la película la Novicia Rebelde y Coltrane la adapta a su estilo colocándole una ropa completamente diferente de las posibilidades que normalmente se podían escuchar hasta entonces.

Su improvisación en esa música con el saxofón soprano es algo que inspiró a muchos músicos del mundo .

https://youtu.be/UlFNy9iWrpE

El lado africano

Coltrane tuvo varios temas con la esa temática, su relación con la negritud hace que toda esa tradición lo inspire y le sugiera nuevas paisajes sonoras.

 Vamos a escuchar “Dakar”, “Africa” y “Wis One”

https://youtu.be/igQtZBfzez8

https://youtu.be/NI3WwoBOR_s

https://youtu.be/NI3WwoBOR_s

El disco Ballads

Este disco fue hecho cuando Coltrane estaba en otra búsqueda sonora. Todo el disco es de baladas menos el tema “All or Nothing At All” . Considero un disco importante por su belleza y su excelencia.

https://youtu.be/3dKmQGJ7bw4

Love Supreme.

Este tema y este disco marcaron un lugar donde Coltrane quería llegar. El tema de “Love supreme” es muy pequeño, apenas reconocemos una frase musical, un ostinato de contrabajo con un sabor latino y una letra cantada al final como referencia a lo que podríamos llamar de tema.

Todo esto al servicio de un clima que como si fuese una oración o una exaltación de lo sagrado y de lo divino.

Para mí este tema y este disco fue un límite estético con el cual Coltrane condecora su feliz trayectoria musical. La imagen de Coltrane como un volcán saliendo fuego por la boca de su saxofón que está en la iglesia que lleva su nombre de algún modo retratan la fuerza creativa de este disco.

https://youtu.be/ll3CMgiUPuU

El lado terapéutico

Luis Alberto Spinetta dijo alguna vez que “la música buena hace bien”, Borges dijo que “la música purifica” y Coltrane se refiere a la música como una fuente de cura y de felicidad.

En muchos reportajes encontramos este discurso, la música como un vehículo de alegría, de espiritualidad y de trascendencia.

Coltrane estudió mantras indianos, homenajeó a Ravi Shankar colocando el nombre de Ravi a su hijo, se entregó a la espiritualidad y al amor por lo sagrado entendiendo que la música seria un medio para la trascendencia individual y colectiva del mundo.

Final

Coltrane tocó piano, flauta, varios tipos de saxofón, violín, batería, fue compositor, arreglador e intérprete. Fue un hombre espiritual y un creador. Una de sus mayores creaciones fue su cuarteto.

El John Coltrane Quartet fue uno de los proyectos más importantes (como sonido de banda) de la historia del jazz.  Por la producción y por lo que significó pareció que fuese algo que duró 30 años. En realidad duró apenas 5 años , del 61 al 65.

Este cumpleaños de Jonhn Coltrane hay que festejarlo con mucha música, para despedirme les dejo dos temas menos conocidos de su creación: Central Park West y After the Rain.

https://youtu.be/t5Z63UHrjKE

https://youtu.be/Je2tpX6Z-QA

 

Aquí les dejo el flyer de mi nuevo proyescto: “Afro-Coltrane”.