quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Da série “Historias do Tango”.



Tema de hoje: o tango “Atreve-te” de Luciano Bottini.

O amor não correspondido é uma das grandes fontes de inspiração para os poetas. No tango  este tema orienta grande parte das letras das canções.
A amargura que causa o desamor produz um sofrimento. Este sofrimento é inerente ao tango.  Cátulo Castillo, no tango “La última curda”, diz: “a vida é uma ferida absurda”;  e o poeta Homero Expósito abre o tango “Naranjo en flor” com a frase: “Primeiro há que saber sofrer”...
No caso do tango “Atreve-te”, Luciano Bottini nos traz a cena de um homem que padecendo a indiferença de uma mulher amada se aproxima na intenção de que ela negue seu carinho.

A história.

Meu pai me conta esta história: "a anedota é que, na década de 50, Pepe Basso gravou o tango “Atreve-te”. A letra era de meu vizinho da Rua Lemos, seu nome era Luciano Bottini, no bairro o seu apelido era O Poeta. Ele tinha feito a letra desse tango motivado por uma vizinha nossa chamada Rosita Vieira, mas esta, quem seja, eu o ignoro. Em tempos passados O poeta um dia passou em casa para falar com meu irmão Ñato que estava ausente, eu o atendi e ele me falou: ' você moleque poderia me ajudar a refazer parte do refrão de um tango que estou compondo?'
Minha irmã Brígida o convidou para entrar e na cozinha, li o texto e lhe disse:  - não te aflijas poeta,  Rosita é assim com todos, - mas eu sou apaixonado por ela, ele me respondeu, bom então a encara pela última vez e diz : atreve-te a dizer que não me queres! (em sua inspiração, pensou meu pai: essa mesma frase poderia ser tão oportuna para o encontro derradeiro quanto para o refrão do tango). Luciano foi lá , mas  foi rechaçado novamente por Rosita".
A frase sugerida pelo meu pai “Atreve-te a dizer que não me queres” não foi usada pelo poeta, no seu lugar a frase “Atreve-te a disser que sou farsante” foi à escolhida para inverter ou mascarar a rejeição.
Na historia universal do amor o desencontro entre Luciano e Rosita ficou eternizado numa letra de tango relativamente famosa em uma Buenos Aires de ruas de paralelepípedos e de amores suburbanos, da qual ainda temos lembranças.



Aqui o link do you tube para escutar o tango e depois a letra.
Atrévete.
Cómo puedes decir que soy farsante
Si mi sangre te daría gota a gota,
Ahogarme con los besos de tu boca
O morir entre tus brazos de pasión.

Fogosa juventud que en sentimiento
Va arrastrando mi vida a la locura,
Mi alma siempre falta de ternura
De sufrir por tanto amor el corazón.

Atrévete a decir que soy farsante
Y falso es el sentir que te profeso
Mi vida te la doy en un instante
A cambio de tu amor puesto en un beso.

Coda:
Atrévete! y pídeme la vida
Que te la entrego herida
De tanto amar.

Letra : Luciano Bottini  (Luciano Orlando Bottini)
Música : José Basso  (José Hipólito Basso)



quinta-feira, 29 de novembro de 2018

DEIXA MALHAR


Historias do Samba.

Chegou até minhas mãos um belo livro que narra a historia da Escola de Samba ”Deixa Malhar” e de seu fundador Mano Elói. O livro se chama: “Escola de Samba Deixa Malhar”, seu autor é o historiador Sormani da Silva.
A historia se inicia quando o pesquisador conhece ao compositor Rubem da Vila e este o introduz na existência da Escola de Samba ”Deixa Malhar”, a partir do encontro se abre todo um universo que evidencia, entre outras coisas, como o Samba se torna “música nacional”, como nascem às primeiras Escolas de Samba nos anos 30 como formas de socialização do movimento negro, como líderes destas organizações conviveram com as religiões de origem africana, com experiências sindicais e com a historia das ocupações das favelas cariocas.
 Lendo o livro sabemos como a polícia fecha a “Deixa Malhar” uma década depois de sua criação o que implica um ataque ao movimento musical-social- político-religioso na época do Estado Novo, e como se estabelecem os pólos do Samba no Porto, na Tijuca, na Mangueira e em Madureira.

Os personagens.

Elói Antero Dias o Mano Elói nascido em 1888 no Vale da Paraíba, foi o primeiro cidadão do Samba, uma síntese do homem negro atuante, militante capaz de liderar todo um movimento histórico. Ele tinha a musicalidade ancestral do Candomblé, do Jongo e da Capoeira, era um operário engajado na luta política- social,  ao mesmo tempo sambista; em fim um protagonista central da historia da cultura de Rio de Janeiro.
Aqui duas gravações de 1930 onde podemos apreciar sua musicalidade.

O Nome da Escola.

“Deixa Malhar” evoca dois sentidos: a Malha era um jogo popular na época no qual, basicamente, se disputa a pontaria com ferraduras ou discos de metal apontando para um pino ,  ganha quem o derruba ou quem mais se aproxima do alvo; também o significado aponta para zombar, no caso seria similar a dizer: deixa que falem.

A criação e o fechamento da “Deixa Malhar”.

A Escola de Samba tinha o subtítulo de “Batuques e outras Sociabilidades”, sua sede ficou na Chácara do Vintém (hoje Tijuca) e sua existência durou entre 1934 e 1947 embora seu fechamento oficial ocorresse em 1943.
A criação do espaço em torno dos quais se organizara esta e outras Escolas de Samba foram ambientes de socialização das comunidades negras. Foram também, na realidade, desdobramentos das organizações das religiões africanas que serviram para fortalecer a vida comunitária no sentido da defesa e da consciência de classe.

A música.

Os sambistas eram habitualmente constrangidos e suas casas eram ameaçadas, o Samba era e um lazer, mas também uma arma e uma ferramenta de luta.
A idéia era reunir os amigos a partir da música, as agremiações tinham basicamente os compositores, a bateria formada por instrumentos de percussão (surdos, tamborins, cuícas e pandeiros) e o canto (na época não existia a figura do puxador, as estrofes eram cantadas de forma coletiva e o coro formado pelas pastoras cantava o refrão).

A época musical.

Brasil em 1937, com Getulio Vargas como presidente, fez um movimento de afirmação da identidade brasileira escolhendo o Samba como música nacional, esta escolha deu ao estilo uma visibilidade maior e serviu para sua estratégia de aliar sua figura com as manifestações populares.
O fato do Samba ser escolhido se bem deu legitimidade aos sambistas, não necessariamente fortaleceu as manifestações mais ligadas com sua raiz negra.
Isto normalmente ocorre quando as instituições se apoderam da arte, elas excluem as manifestações das comunidades e moldam os estilos ao gosto da indústria; deste modo a imagem do Brasil ficou atrelada com a imagem da Carmen Miranda, do Zé carioca da Disney e a composições como Aquarela do Brasil de Ary Barroso.
O Samba de Roda e os estilos populares que eram ouvidos na casa da tia Ciata, os Jongos tocados na Serrinha ou no barracão da “Deixa Malhar” não tiveram espaço por que a elite não queria um Brasil identificado com a negritude e sim com os “avanços urbanos”.
Aqui duas gravações que mostram o contraste

Mais discussões musicais.

Um dos capítulos mais interessantes do livro acontece quando toca no tema: ”Cultura negra e identidade nacional”.
Com Getulio Vargas o Samba ganhou legitimidade, esta unificação nacional em torno do Samba recebeu críticas de modernistas como Mario de Andrade que entendiam que esta escolha valorizava apenas uma das variantes musicais do Brasil.
De todos modos a idéia de valorizar um ritmo de origem negra provocaria uma mudança conceptual e a partir desta transformação teríamos a possibilidade de uma mestiçagem cultural, uma síntese antropofágica.
A postura de um homem branco no papel de civilizador do homem do morro, seria substituída pela idéia do homem erudito interpretar ,com muito respeito, o ser nacional do homem popular.
A resistência a considerar o popular como símbolo nacional não enxergava o valor das baianas ou do samba; na contramão o conceito de "síntese" teve acolhida em músicos como Villa Lobos e Radamés Gnatalli que reuniram o melhor do folclore brasileiro ao mundo da música clássica européia para, por meio a este diálogo, criar a identidade nacional.

O movimento.

A época era rica em musicalidade, se ouviam Jongos com Mano Elói , Maxixes com Sinhô e Sambas com  Noel Rosa, Wilson Batista, Lamartine Babo, Ary Barroso e muitos mais.
Aqui gravações ilustrativas.
Jongo
Wilson Batista
O Samba Madalena se zangou
O racismo e o anticomunismo.
As escolas de Samba pelo seu caráter anárquico e independente junto às agremiações ligadas ao partido comunista sofreram perseguições e repressão.
O fechamento da sede da “Deixa Falar” foi um golpe no movimento negro e significou uma estratégia de controle social.

FINAL

Recomendamos este livro para todo o mundo que ama a historia musical brasileira, terminamos nossa resenha com a frase do NASCIMENTO: “O tambor é fonte de ritmo cósmico, exerce a função de harmonizar as coisas: Deuses”.




   




  



domingo, 22 de julho de 2018

Arte popu- clássica.


Arte popu- clássica.

A música na América tem uma mesma raiz, ela é européia, indígena e africana, desta mistura nasce o jazz, o choro, o tango e o son cubano.
No inicio do século XX até 1960 no Brasil e na Argentina compositores como Heitor Villa Lobos, Radamés Gnatalli, Alberto Ginastera e Astor Piazzolla inspirados pelas raízes ancestrais desdobram estes ritmos e melodias com elementos da música clássica criando uma verdadeira revolução que no começo não agradou nem aos cultores da música de concerto, nem aos da música popular.
Anos se passaram para que estes criadores atingissem um espaço, as razões para desconsiderar estas obras tinham argumentos dos dois lados.
Dos puristas populares no Brasil argumentando que incorporar arranjos de cordas ao choro ou ao samba (como ocorreu com Radamês ou Tom Jobim) estaríamos desnaturando o estilo; na Argentina, que se mexêssemos com os ritmos do tango (como aconteceu com Astor Piazzolla e Eduardo Rovira) o tango iria acabar.
Do lado dos puristas do clássico também existia um desconforto por que utilizar um bandoneon como solista de uma orquestra sinfônica parecia uma profanação, ou orquestrar uma melodia de choro seria um no sense.
Hoje em dia, passados os anos, as brigas continuam, mas cresce a possibilidade de aceitar uma convivência entre os novos caminhos que os estilos estão percorrendo.
No caso dos puristas populares o ressentimento vem por que a forma de tocar tradicional aparece com o rotulo de datada e parece que simplesmente se deixa de atualizar por uma questão de moda, do lado dos puristas eruditos por que tem que dividir espaços na salas de concerto com expressões artísticas que para eles não tem valor.

Conclusão.


A arte é dinâmica e suas manifestações sendo verdadeiras sempre serão aceitas como válidas pelos espíritos sensíveis. A máxima que rege a arte é a da qualidade e se ela está presente teremos que apenas entender que se uma arte é verdadeira, por nenhum motivo poderíamos aceitar que seja  coagida sua liberdade.




domingo, 11 de março de 2018

Ayon .


 O Orixá do Tambor.


Existem divindades que representam a magia que vive nos músicos, que tocam
 instrumentos de percussão e no próprio tambor. Nos mitos sagrados mais
 antigos, e no Candomblé encontramos uma historia muito enriquecedora 
e pouco conhecida que narra esta lenda. Trata-se do Orixá do Tambor.
É fascinante observar como no rito o instrumento é considerado sagrado, 
como o som é  considerado um meio de comunicação com força
 transcendentes e como os instrumentistas (Ogan) têm essa missão de 
permitir que o Orixá da música (Ayon) se expresse, sem que isto envolva
 nenhuma vaidade pessoal.
Longe deste comportamento, os músicos hoje perderam a relação com
 o sagrado, com seu próprio instrumento, com seu lugar na arte e se 
importam mais com sua ostentação pessoal que em evocar os Deuses do som.
A narração ancestral mostrada mais a frente, está em perfeita harmonia
 com o que o saxofonista John Coltrane entende por música e evoca em
 composições como LOVE SUPREME.


Ayon o Orixá da música. -1

O tambor é considerado sagrado é tratado como uma criatura vivente, que deve ter cuidados específicos e uma variedade de regras para o seu uso.
A força espiritual contida no tambor, que o consagra, é chamada de ”Ayan” ou ”Ayon", o Orixá do tambor. Para que alguém possa ser iniciado em Ayon e tocar o tambor, deve cumprir rígidos rituais religiosos.
 No Brasil esta tradição praticamente se perdeu, mas foi mantida na Nigéria e Benin (a Terra Yorubá) e em Cuba.
 O iniciado recebe a força espiritual necessária para tocar os tambores de forma correta, para que estes possam "falar" com os Orixás, chamando-os para as cerimônias a eles dedicadas. Ayon representa a expressão sonora das Divindades; ele é a alegoria do tambor que serve como depositário dos poderes Divinos , e como veículo que lhe dá a voz.
A consagração de Ayon no tambor Batá é feita por meio de ritual e elementos litúrgicos sagrados, que ficam dentro do tambor, que é selado hermeticamente com as duas peles. Quando Ayon é assentado no tambor este é chamado de "Eleekoto". O ritual de consagração inclui pintura do tambor com a assinatura de Xango.
Eleekoto é simbolizado por uma miniatura de tambor que não pode ser tocado, pois simboliza "Ayon".
A lenda.
Diz uma lenda da divindade Ayan/Ayon, que Olódùmarè (o Deus Supremo) o chama para aprender o poder de cada Orixá, para ensinar os homens a louvá-los através do canto, da dança e dos ritmos sagrados. Na verdade o próprio instrumento - o tambor - é considerado como a veste material de um espírito e dizem os mitos, que cada tambor possui seu espírito elementar, que se materializa dentro dos mesmos durante as cerimônias para que o rito tenha prosseguimento segundo a forma do pensamento do templo em questão, de acordo com o Orixá regente da casa.

Algumas narrativas sobre Ayon.-2

Aiyon era o mais forte de todos os seres e ninguém o igualava. Certa vez Lorundi lhe disse que Irõko (arvore ancestral - 3) era mais forte do que ele. Sem pensar, Ayon, foi até Irõko e o arrancou com apenas uma mão e o povo disse que Aiyon era mais forte.
Após desmiolar o tronco de Iröko, ele o cobriu com um couro e fez um aketé. E um dia, ao chover, o couro ficou mole e ele pôs   o atabaque em pé ao sol e ficou retumbando, (assim, ele inventou o atabaque).
Ayon começou a tocar para o povo dançar, em muitas cidades onde recebia dinheiro aos seus pés. Um dia, certa mulher quis tocar, mas ele não queria ensinar; em determinado momento ele foi para a mata com ela e quando ele dormiu ela tocou o atabaque.

Ao acordar, Ayon jogou a mulher longe e com isso o atabaque não ficou bom mais. Ao irem a um sacerdote, ele ficou sabendo que a mulher "tava fraca" de Bajé (menstruada), assim ele teve que fazer uma oferenda para o atabaque para que ele ficasse bom novamente. 

Daí o motivo da mulher não tocar atabaque no Candomblé.
De todo modo, sabemos que no culto Ijexá é comum as mulheres tocarem para Logunede por causa de um encantamento. -4
Mais narrativas sobre Ayon.-5

 Ayon é a potestade que encerra alguns dos maiores mistérios da profunda iniciação, pois está ligado a praticamente todo o sistema de equilíbrio das divindades, estando presente no começo e no fim do mundo, atuando na ritualística de todos os Orixás.



É o espírito da Música e segundo os mitos antigos; morava dentro do tambor no princípio dos tempos.

Ayon é a entidade que ensinou os homens a falar, a cantar e a preservar e viver a música como fonte de equilíbrio e estabilidade.

Um tambor bem preparado é um verdadeiro ser vivo, e quase sempre o espírito de Ayon, quando se manifesta nele, induz o Alabê (Ogan- músico) a executar ritmos extremamente hipnóticos e complexos, pois os tambores chegam a “falar” sozinhos.
O preparo de um tambor para Ayon requer muitos cuidados dentro da magia, pois desde a construção até a preparação são utilizados diversos materiais para a consagração, que vão do azeite ao mel, elementos de alguns peixes e resinas de árvores, etc. Um especial cuidado com as tiras que prendem o couro, com elementos diferenciados e polêmicos é indispensável.




Considerações finais.


Os músicos são na realidade instrumentos que permitem que os tambores cantem e atinjam uma transcendência. A beleza desta relação se perdeu, assim como se perdeu o sentido sagrado da música.  Talvez, este mito de Ayon nos permita retomar o elo perdido com a nossa missão.

Notas.


1-Blog Candomblé é para todos.
2-Blog do Babaloorisa Carlos Jose.
3-Iroko é um Orixá muito antigo. Iroko foi à primeira árvore plantada e pela qual todos os restantes Orixás desceram à Terra. Iroko é a própria representação da dimensão Tempo. Iroko é o comandante de todas as árvores sagradas, o vanguardeiro, os demais Osa Iggi devem-lhe obediência porque só ele é Iggi Olórun, a árvore do Senhor do Céu. (fonte- Blog Candomblé o mundo dos Orixás).
4-Segundo o pai de Santo Gustavo Ferreira.
5-Do blog Ilê Axé Casa dos ventos.

VIDEOS.
Aqui um vídeo muito ilustrativo para quem queira escutar a sonoridade dos batas cubanos. 
https://youtu.be/MrJQhgJyMS8








quarta-feira, 19 de julho de 2017

50 años sin Coltrane

JOHN COLTRANE (VIDA Y OBRA).

A 50 anos de su muerte,  que significado tiene la existencia de John Coltrane?

John Coltrane fue un volcán sonoro, su ímpetu para tocar el saxofón lo transformo en un músico  diferente, un músico libre,  emocional, espiritual  y de coraje.
Nacido el 23 de septiembre de 1926 en un pueblo bautizado con el nombre shakesperiano de “Hamlet”, en Carolina do Norte, John Coltrane estuvo siempre rodeado de música. Su abuelo era músico amateur y pastor batista su padre,  John R. Coltrane , era sastre e intérprete de varios instrumentos,  aunque su padre murió cuando él era muy chico, todo el ambiente familiar lo  influencio mucho en el inicio da su vida.
Seguramente la convivencia con el clima de éxtasis y transcendencia de los cantos de coros negros góspel, los spirituals de las iglesias y el blues del sur imprimieron en Coltrane  un sentido de elevación, de transe que ele expresa en sus composiciones e en su interpretación.
 Después de una primera época, de forma paulatina sus influencias musicales se dislocaron para Lester Young y Johnny Hodges, llevándolo a cambiar el clarinete (su primer instrumento) para el saxofón alto. Coltrane continuo su educación musical en Filadélfia en Granoff Studios y en la Ornstein School of Music hasta ser llamado para alistarse  durante la Segunda Guerra Mundial, donde  se presentó en la Banda da Marina de los Estados Unidos en Hawái.
Después de la guerra, Coltrane comenzó a tocar saxofón de tenor con Eddie "CleanHead" Vinson Band, y después de esta experiencia  declaró: "Una área más amplia de  la escucha se abrió para mí”.
Antes de ingresar a  la banda de  Dizzy Gillespie, Coltrane tocó con Jimmy Heath, donde su pasión por la  experimentación comenzó a tomar forma. 

Coltrane toca con Charlie Parker y con Dizzy incorporando los conceptos de improvisación del BE BOP. Integra el quinteto de Miles pero por culpa de su aspecto descuidado y de su relación descontrolada con la heroína  Miles lo expulsa del grupo. En este momento Coltrane es amparado por Thelonius Monk que lo invita a profundizarse en el universo armónico de la música. Vuelve a tocar con Miles en el mítico disco “Kind of Blue”, disco que lo colocaría entre los grandes músicos de todas las épocas. "La música de Miles me dio mucha libertad", dijo Coltrane alguna vez. 

En 1960, Coltrane formó su propio  cuarteto junto al pianista McCoy Tyner, el baterista Elvin Jones y el bajista Jimmy Garrison. Eventualmente invitando otros músicos como Eric Dolphy y Pharoah Sanders. 
El cuarteto de John Coltrane Quartet creó algunos de los proyectos más innovadores y expresivos de la historia del jazz, incluyendo discos históricos como: "My Favorite Things", "Africa Brass", "Impressions", "Giant Steps", el lindísimo disco “Ballads” y su monumental trabajo " Love Supreme"  disco que afirma su lado espiritual.
Su obra en colaboración le rindió experiencias fructíferas: su versión de “In a sentimental mood” en el disco “Duke Ellington & John Coltrane” es de una belleza trascendente, su encuentro con Monk  fue eternizado en varios discos  como el que gravaron en vivo en el show del Carnegie Hall.



Su lado personal.
Coltrane en un determinado momento de su vida sintió que todos debemos hacer un esfuerzo consciente para provocar cambios favorables en el mundo y entendió que su música seria un instrumento, un medio para ayudar a las personas en esta dirección.
Esta  postura junto con su lado espiritual  seguramente inspiraran a criar hasta un culto en su nombre: la  Iglesia Ortodoxa Africana Santo John Coltrane (Saint John Coltrane African Orthodox Church) , ella está en Los Angeles y tiene 43 años de existencia, el santo es John Coltrane y las misas son celebradas los domingos a la tarde con música en vivo  junto a rituales cristianos tradicionales.

Su inspiração.
Coltrane escuchaba Stravinsky , Charlie Parker, música de la India, de África , música latina, música minimalista y flautas japonesas; sus influencias con el tiempo lo llevaron a desarrollar también un lado más libre de la música,  sus últimos discos confirman su lado free jazz.

Su dedicación.
Coltrane vivía tocando, tocaba en el hotel, en el tren; él “calentaba” el saxofón  antes de subir a tocar con tanta pasión que subía al palco transpirando;  cuando terminaba el show en el camarín continuaba tocando recordando alguna parte en la que quería  profundizarse, toda esta dedicación y entrega produjo una intimidad con el sonido y con la música que se hacen evidentes en la hora de la performance.

Sua obra.
En algunas de sus composiciones como: Impressions, Afro blues, Equinox o Blue Trane notamos una melodia simple que provoca al improvisador y en Giant Steps una base armonica que resulta un histórico desafio para todos los músicos; de toda su obra autoral podemos considerar Naima e Lonnie's Lament como algunas de sus melodias mais inspiradas.
Su concepción musical.
Cuando escuchamos sus discos percibimos que no hay ensayo o arreglos escritos, todo suena muy espontaneo y el grupo invierte todo en la expresión, el sonido y en escucharse para lograr un resultado colectivo.


Su fin y su legado.

Su historia fue interrumpida a los 41 años de edad,en 1967, una enfermedad en el hígado llevo su vida . Décadas después de su partida, su música puede ser escuchada en todos los clubes de jazz del mundo y sus ideas y su sonido continuara siendo una referencia para todos los músicos que se atraen por el saxofón y por la improvisación.
Su legado hoye continua de otras formas: como música de películas , como es el caso de la música Alabama de la película Malcom X;  en forma de homenaje como es el caso del disco “Dear John C” que Elvin John le dedico , o en las  grabaciones que Joe Lovano y Conrand Erwing le dedico; su figura hoy continua presente también en la trayectoria de Ravi Coltrane segundo hijo de John e de su esposa la pianista Alice Coltrane.
Su mayor biógrafo o Dr. Cuthbert Ormond Simpkins,  dijo:”A partir del coraje viene la libertad. Es necesario  coraje para expresar lo que se siente, la profundidad emocional y el dominio  técnico raramente están juntos. John Coltrane poseía, y era poseído, por este encuentro. Su historia comienza con sus antepasados".


Coda.
Documentário
Filme de animação
https://youtu.be/ZF0EvYd_Bgw
 Aqui  um flyers de  uno de mis shows em Rio dedicados a él.



domingo, 2 de julho de 2017

JOHN COLTRANE (VIDA E OBRA).


JOHN COLTRANE (VIDA E OBRA).

A 50 anos da sua morte, o que significou a existência de John Coltrane?

 John Coltrane foi um vulcão sonoro, seu ímpeto para tocar o saxofone o tornou um músico  diferente, um músico livre,  emocional, espiritual e ousado.
Nascido em 23 de setembro de 1926, num condado batizado com o nome shakespeariano de “Hamlet”, em Carolina do Norte, John Coltrane esteve sempre cercado de música. Seu pai era pastor batista, e embora tenha morrido quando ele era muito novo, o influenciou muito no inicio da sua vida.
                Seguramente o convívio com o clima de êxtases e transcendência dos cantos dos corais negros gospel, os spirituals das igrejas e o blues do sul imprimiram nele um sentido de elevação, de transe que ele expressou em suas composições e na sua interpretação.
                Depois de uma primeira época, aos poucos as suas influências musicais se deslocaram para os gostos de Lester Young e Johnny Hodges, levando-o a mudar do clarinete para o saxofone alto. Ele continuou sua educação musical na Filadélfia, no Granoff Studios e na Ornstein School of Music até ser chamado para o serviço militar, durante a Segunda Guerra Mundial, onde ele se apresentou na Banda da Marinha dos EUA, no Havaí.
                Após a guerra, Coltrane começou a tocar saxofone de tenor com o Eddie "Clean Head" Vinson Band, e depois foi citado dizendo: "Uma área mais ampla de escuta se abriu para mim”.
Antes de ingressar na banda Dizzy Gillespie, Coltrane tocou com Jimmy Heath, onde sua paixão pela experimentação começou a tomar forma. 
                Tocou com Charlie Parker e com Dizzy incorporando os conceitos de improvisos do BE BOP.  Por essa época, faz parte do quinteto de Miles, mas pelo seu envolvimento com drogas Miles rompe com ele. Nesse momento Coltrane é acolhido por Thelonius Monk que o convida a mergulhar fundo no universo harmônico da música. Volta com Miles, no disco Kind of Blue, que o levaria à sua própria evolução musical. "A música de Miles me deu muita liberdade", disse ele uma vez. 

                Em 1960, Coltrane formou seu próprio quarteto, que incluiu o pianista McCoy Tyner, o baterista Elvin Jones e o baixista Jimmy Garrison; eventualmente, adicionando outros músicos como Eric Dolphy e Pharoah Sanders. 
                O John Coltrane Quartet criou alguns dos projetos mais inovadores e expressivos da história do jazz, incluindo os álbuns de sucesso como: "My Favorite Things", "Africa Brass", "Impressions", "Giant Steps", o lindíssimo disco “Ballads”, e seu monumental trabalho "A Love Supreme", que afirma seu lado espiritual.
                Sua obra em colaboração rendeu experiências frutíferas: sua versão de “In a sentimental mood” no disco Duke Ellington & John Coltrane é de uma beleza indiscutível; seu encontro com Monk  marcou uma parceria eternizada em vários discos.

Seu lado pessoal.

                Coltrane sentiu que todos nós devemos fazer um esforço consciente para efetuar mudanças positivas no mundo e que sua música era um instrumento para ajudar as pessoas nesta direção.
                Esta sua postura, junto com seu lado espiritual  seguramente inspirou a que se criasse até um culto em seu nome - a  Igreja Ortodoxa Africana Santo John Coltrane (Saint John Coltrane African Orthodox Church); ela fica em Los Angeles e tem 43 anos de existência, o santo é John Coltrane e as missas são celebradas nos domingos pelo período da tarde com música ao vivo de qualidade e rituais cristãos tradicionais.


Sua inspiração.
               
                Coltrane ouvia Stravinsky , Parker, música da Índia, da África , música latina, música minimalista e flautas japonesas. Todas essas influencias, aos poucos o levaram a desenvolver também um lado mais livre da música;  seus últimos discos confirmam seu lado free jazz.

Sua dedicação.

                Coltrane vivia tocando. Tocava no hotel, no trem. Ele aquecia o sax, antes de subir para tocar, com tanto ênfases que subia no palco transpirando. Terminava o show e, no camarim, ele continuava tocando, lembrando de alguma passagem que queria aprofundar. Toda essa dedicação e entrega produzia uma intimidade com o som e com a música evidente na hora da performance.

Sua obra.
                Nas suas composições, estou falando de: Impressions, Afro blues, Equinox ou Blue Trane, notamos uma melodia simples que provoca o improvisador, e em Giant Steps uma base harmônica que resulta um histórico desafio para todos os músicos. De toda sua obra autoral podemos considerar Naima e Lonnie's Lament como algumas das suas melodias mais inspiradas.

Seu fim e seu legado.

                Sua historia foi interrompida aos 41 anos de idade,em 1967. Uma doença no fígado levou a vida de Coltrane. No entanto, décadas após sua partida, sua música pode ser ouvida em todos os clubes de jazz do mundo e seu som continuara sendo uma referência para todos os músicos que se atraem pelo saxofone e pela improvisação.
                Seu legado hoje continua como trilha sonora no cinema, como é o caso da música Alabama, no filme Malcom X; em homenagens, como é o caso do disco “Dear John C”, que Elvin John dedicou a ele, ou nas gravações que Joe Lovano ou Conrand Erwing lhe dedicaram, Sua figura hoje continua presente também na trajetória de Ravi Coltrane, segundo filho de John e de sua esposa, a pianista Alice Coltrane.

Coda.
Documentário
Filme de animação
Aqui alguns flyers das minhas homenagens